Eu conheço muitos jovens, muitos deles.

Eu observo seus gestos, seus risos

E eu escuto sobre o que pensam e como pensam

 

Em sua maioria apreciam o velho rock

Acham Emily Dickinson demasiado demais

Tem pensamentos progressistas

Desejam a paz mundial (assim como as misses)

E acham engraçado todas (as misses) desejarem a mesma coisa:

Paz mundial

 

Jovens gostam de festas

Gostam de estar amando

Gostam bastante de sentir intensamente muito em muitos momentos

Um dia em desgraça já o fazem se achar infelizes e escrever sobre sua juventude medíocre

 

Me impressiono bastante com os jovens

Todos viraram santos

E eu continuo a mesma

Julho 5, 2008

Eu levava um soco no estômago todo dia.

Agora eu levo um por semana.

O xadrez anda me irritando, e eu gostava bastante dele. O all star é uma droga cuja Nike é a proprietária. E não há nada de mais idiota no mundo entre a comparação entre nikes shox e all stars. Camisetas de bandas nada mais são do que camisetas para cobrir o corpo.

O que eles querem é demonstrar por fora o que são por dentro. E o que eu acabo percebendo neles é o mesmo que percebo em todos: eles são os mesmos. E iguais. E pensam iguais em muitas ou todas as coisas. O mundo lhes impõe isso de uma forma escondida. Se fossem tão espertos, notariam a armadilha.

 

Quero me desnudar. Quero sair por aí sem pudor. Não quero mais marcas, e isso inclui all stars, camisetas de bandas, rockinhos, alternativos (que nem são tão alternativos assim) e todas as baboseiras que pessoas espertas usam.

 Quero me cobrir de penas, e de pêlos. Quero virar bixo de novo. Eu quero parar com todo esse esquema. E não adianta: estão todos nele! Foram pegos por uma armadilha. E eles não conseguem ver, porque são espertos demais.

Arde

Junho 1, 2008

Não há desculpa

Você ganhou o sopro

Deveria ter vivido

Deveria ter desistido

De todas aqueles que não constroem

Nós sabemos

E há tantos segredos

Nós somos movidos apenas por

 Um mecanismo covarde visando sugar o sopro

Que era o mais preciso

Que morava em nós

E nunca acreditamos que tínhamos vento

Que éramos sedentos não por

Amor-pessoas-aprovaçao

 

Sempre

No fim é só fingimento

E estão todos mortos

para John

Maio 23, 2008

Ele era amargo e cinza. Mas fazia as pessoas felizes.

Eu temia por John.

Zelava pelas suas noites mal dormidas. John era forte, mas andava fraco. Seu corpo já não jazia como antigamente nas cadeiras: esbelto e cheio de compostura. Agora era um homem curvado e cabisbaixo.

John, o que as pessoas fizeram com você?

Esses dias você estava pintando um quadro bonito para mim. Picasso estava fingindo ser você quando fez umas obras milionárias por aí. Eu te admiro.

Na quarta feira passava, leste um poema que mexeu com meus batimentos cardíacos. John, eu estava enganada sobre você no inicio. Não existe mais cor que em você.

Maio 18, 2008

Não é para todos. Essa coisa de pensar e criar e amar.

Maio 11, 2008

Às vezes você não consegue ficar satisfeito

Com o pouco que lhe dão

Você luta consigo mesmo e no final

Sabe que não dá

Nada agüenta

O laço não é forte

Nem as palavras…

Splash

Maio 10, 2008

(…)

você já pode morrer agora.
você já pode morrer do jeito
que as pessoas deveriam
mo-rrer:
esplêndidas,
vitoriosas,
ouvindo a música,
sendo a música,
rugindo,
rugindo,
rugindo.

 

  Charles Bukowski, te amo.

Uma conversa séria

Maio 4, 2008

Chega uma etapa em que eu não penso mais nos trabalhos, provas, no meu chefe rabugento, ou na ventania acontecendo lá fora. Eu apenas olho para dentro, e me dou toda a atenção do mundo. Que se danem os trabalhos, provas, chefe, colegas, amigos: o mundo que espere sentado eu ficar um pouco comigo. Bater um papo cabeça com o meu cérebro e dizer: “ei, estou me ferrando aqui fora, você bem que poderia me dar uma força”.

Depois dessa conversa enfatídica ele tenta me explicar que é tudo culpa do cansaço excessivo, e que eu preciso de férias. A discussão anda até o telefone tocar. É… O mundo lá fora me aguarda. Todos os monstros não estão no meu roupeiro, nem debaixo da cama. Estão lá fora, em formas humanas. São vozes a cobrar.

Mas nada adianta: Eu continuarei cansada até ganhar férias de minha vida medíocre. Pois é, José! É assim mesmo. Então desligo o telefone e digo para meu cérebro que termino o assunto depois. Pego minhas coisas e me dirijo para fora, onde há a eminência de ser despedido. De ir mal nas provas, tirar zero nos trabalhos e tudo desabar.

 

Quem não fica:

Maio 3, 2008

Conheço esse lugar. Todas estas paredes, pintadas de um amarelo morto. Conheço sua expressão ao estar nessa sala também. Eu o conheço, um pouco e tanto mais que quase o mundo inteiro.

Eu sinto o gosto dos anos 90. Eu tomava coca-cola e comia bolacha Bono na frente da TV. Com aqueles punks noventistas, eu tinha três ou quatro anos. No pré conheci pessoas bacanas. Supostamente bacanas. Foram anos felizes até a quarta série. Uma avalanche muda tudo. Na verdade a avalanche real são as circunstancias e minhas decisões após a vinda das donas das situações. E sou mambembe mesmo. Gosto dos lugares e da essência deles e de sair deles antes de eles se apossarem de mim. Foi assim que eu fiz mudanças bruscas de uma hora para outra. Troquei de turma. Eram pessoas diferentes, que me acolheram e foi assim até a oitava serie. Quando pessoas inoportunas me fizeram mudar de cenário novamente, agora algo maior: um novo colégio. E lá fui eu. Fiz amizades breves e me lembro delas com carinho. Ser breve não faz a menor diferença. No ens. médio regressei ao antigo ambiente. Saudades. E ainda não sei direito do que. Talvez uma nostalgia. Saudade de situações que não voltariam e mesmo que sim, as pessoas não tinham a mesma inocência. Faltava a criança. Faltava a bobeira, faltava o amor mesmo. Batalhei pra passar o primeiro e segundo ano. Suei, faltou estudo, faltou interesse. Mas o vento soprou e o circo me levou pra outras bandas. Não me sentia bem naquelas e decidi: um internato. Prisão era o primeiro pensamento que veio aos demais. As pessoas têm uma idéia errada de prisões. Prisões não têm paredes. As piores são as que aprisionam o teu pensar, os teus sentimentos.Então lá fui eu.
Tudo era novo. De novo. Eram pessoas ignorantes da maldade. Me senti feliz e mais livre do que em qualquer lugar que estive até hoje. Descobri um mundo novo dentro de mim e fora. Descobri pessoas normais. Pessoas felizes. O ar era leve e me fazia bem. Agora estou em casa. Num final de semana com meus amigos. As pessoas na sala e eu me escondendo pra escrever um breve resumo. Resumo de uma vidinha que eu valorizo, porque é meu coração que bate nela, e minha alma que mora aqui.