Quem não fica:
Maio 3, 2008
Eu sinto o gosto dos anos 90. Eu tomava coca-cola e comia bolacha Bono na frente da TV. Com aqueles punks noventistas, eu tinha três ou quatro anos. No pré conheci pessoas bacanas. Supostamente bacanas. Foram anos felizes até a quarta série. Uma avalanche muda tudo. Na verdade a avalanche real são as circunstancias e minhas decisões após a vinda das donas das situações. E sou mambembe mesmo. Gosto dos lugares e da essência deles e de sair deles antes de eles se apossarem de mim. Foi assim que eu fiz mudanças bruscas de uma hora para outra. Troquei de turma. Eram pessoas diferentes, que me acolheram e foi assim até a oitava serie. Quando pessoas inoportunas me fizeram mudar de cenário novamente, agora algo maior: um novo colégio. E lá fui eu. Fiz amizades breves e me lembro delas com carinho. Ser breve não faz a menor diferença. No ens. médio regressei ao antigo ambiente. Saudades. E ainda não sei direito do que. Talvez uma nostalgia. Saudade de situações que não voltariam e mesmo que sim, as pessoas não tinham a mesma inocência. Faltava a criança. Faltava a bobeira, faltava o amor mesmo. Batalhei pra passar o primeiro e segundo ano. Suei, faltou estudo, faltou interesse. Mas o vento soprou e o circo me levou pra outras bandas. Não me sentia bem naquelas e decidi: um internato. Prisão era o primeiro pensamento que veio aos demais. As pessoas têm uma idéia errada de prisões. Prisões não têm paredes. As piores são as que aprisionam o teu pensar, os teus sentimentos.Então lá fui eu.
Tudo era novo. De novo. Eram pessoas ignorantes da maldade. Me senti feliz e mais livre do que em qualquer lugar que estive até hoje. Descobri um mundo novo dentro de mim e fora. Descobri pessoas normais. Pessoas felizes. O ar era leve e me fazia bem. Agora estou em casa. Num final de semana com meus amigos. As pessoas na sala e eu me escondendo pra escrever um breve resumo. Resumo de uma vidinha que eu valorizo, porque é meu coração que bate nela, e minha alma que mora aqui.