Uma conversa séria
Maio 4, 2008
Chega uma etapa em que eu não penso mais nos trabalhos, provas, no meu chefe rabugento, ou na ventania acontecendo lá fora. Eu apenas olho para dentro, e me dou toda a atenção do mundo. Que se danem os trabalhos, provas, chefe, colegas, amigos: o mundo que espere sentado eu ficar um pouco comigo. Bater um papo cabeça com o meu cérebro e dizer: “ei, estou me ferrando aqui fora, você bem que poderia me dar uma força”.
Depois dessa conversa enfatídica ele tenta me explicar que é tudo culpa do cansaço excessivo, e que eu preciso de férias. A discussão anda até o telefone tocar. É… O mundo lá fora me aguarda. Todos os monstros não estão no meu roupeiro, nem debaixo da cama. Estão lá fora, em formas humanas. São vozes a cobrar.
Mas nada adianta: Eu continuarei cansada até ganhar férias de minha vida medíocre. Pois é, José! É assim mesmo. Então desligo o telefone e digo para meu cérebro que termino o assunto depois. Pego minhas coisas e me dirijo para fora, onde há a eminência de ser despedido. De ir mal nas provas, tirar zero nos trabalhos e tudo desabar.