Eu recordo
Agosto 14, 2009
Uma alma feroz que viajou no tempo.
Os campos sorriam ao vê-la.
Quando caminhava entre mortos,
a vida chamava-a de volta.
Não deixe morrer o templo desta alma.
Aclamavam todos os deuses,
que não a deixassem triste.
Seu coração ferido era jovem.
Era pecado não a ouvir. Sua voz era mandamento.
Tolos não a tocavam,
e ela aos tolos lembrava, que as estações mudavam
mas os mortais não a viam assim
apenas o superficial enxergavam
eram cruéis e as palavras não os tocavam
uma alma ventania
perto de almas vazias
os deuses furiosos assistiam
a sua princesa ser despedaçada
por almas tão pequenas
que não tocavam o imortal
os seres místicos choravam
pois aos poucos matavam a alma feroz e ferida
de uma semi-deusa cativa da solidão
eu recordo, pois hoje só na memória vive
as flores choraram
os ventos sopraram
e ela não voltou
em seu pulcro ainda olhou nos olhos dos matadores
mas não viu nada além de olhos
carne, cílios
que lindo e triste, gostei mesmo. O julgamento dos tolos sempre é feroz