Sujeira
fevereiro 16, 2010
Agora somos. E somos isso:
Esse nada
Esse lixo
Essa podridão toda
Que me come inteira
Frente essa multidão sem rosto:
Todos os mesmos
Parecem todos a mesma pessoa
Sem face
Alguma palavra bonita que leio
E vejo ninguém ali
Imagino só um autor
Que talvez teve uma paz
Que não tive
Que talvez teve uma humanidade que não tive
Que talvez viajou para algum lugar que não viajei
Talvez só na mente
E somos isso que vemos:
Essa carne crua
Esse sorriso torto
Esse corpo usado
Essa voz que já não grita
Nós deixamos de ser