Eu recordo
Agosto 14, 2009
Uma alma feroz que viajou no tempo.
Os campos sorriam ao vê-la.
Quando caminhava entre mortos,
a vida chamava-a de volta.
Não deixe morrer o templo desta alma.
Aclamavam todos os deuses,
que não a deixassem triste.
Seu coração ferido era jovem.
Era pecado não a ouvir. Sua voz era mandamento.
Tolos não a tocavam,
e ela aos tolos lembrava, que as estações mudavam
mas os mortais não a viam assim
apenas o superficial enxergavam
eram cruéis e as palavras não os tocavam
uma alma ventania
perto de almas vazias
os deuses furiosos assistiam
a sua princesa ser despedaçada
por almas tão pequenas
que não tocavam o imortal
os seres místicos choravam
pois aos poucos matavam a alma feroz e ferida
de uma semi-deusa cativa da solidão
eu recordo, pois hoje só na memória vive
as flores choraram
os ventos sopraram
e ela não voltou
em seu pulcro ainda olhou nos olhos dos matadores
mas não viu nada além de olhos
carne, cílios
O fogo queima.
Julho 19, 2009
“Dou duas voltas no quarteirão, encontro 200 pessoas e não vejo nenhuma criatura humana. Olho na vitrine das lojas e não há nada que me interesse. No entanto, tudo tem preço. Uma guitarra, ora, porra, pra que me serve uma coisa dessas? Só se for pra tacar fogo. Toca-discos, tevê, rádio. Tralha inútil. Bugiganga imprestável. Um troço pra embrutecer o cérebro. Como soco com luva vermelha de 200 gramas. Popt. Te derruba no chão.”
Muitas vezes, quase todas, quando vou aos shoppings ou saio por aí tudo isso vem. Vem ao meu encontro e esbarramos e eu pergunto de novo se sou desumana ou estou apenas perdida. Vai saber… mas eu prefiro a segunda opção. O que já me torna bem melhor do que muitos outros.
Às vezes eu queria andar de gangorra. Pra andar de gangorra são necessárias duas pessoas. Sem duas, não se anda de gangorra. Eu bem que poderia ficar ali sentada, mas não subiria nem desceria, nem riria, nem teria uma companhia para me ver sorrir, quase cair, ou me entediar. Às vezes eu queria um amor. Amor é gangorra. Para se ter amor é necessário duas pessoas, tu até pode gostar, ficar sentado na gangorra, mas se não tiver o par, não terá amor. Não vai sorrir, não vai subir, não vai ter um contrapeso. Não vai ter testemunhas dessa vida, sem ter alguém contigo na gangorra.
Para você:
Dezembro 26, 2008
Que eu tanto amo. Você que foi tempestade. Você que mexeu com tudo em mim. Trovões que gritavam, você era um arrepio.
Eu só tinha um cigarro. Era o bastante pelo resto da minha vida naquele momento. O resto que a nicotina não matasse. Não que minha vida não fosse nada, mas parecia que a gravidade a puxava para baixo com mais força do que de costume. Eu estava agora sentado em meu escritório, é domingo, só vim buscar umas coisas. Então resolvi parar pra pensar.
Tem alguns álbuns antigos da minha família aqui nos arquivos, ou ex família, como desejarem. Me separei há uns três anos. Meus filhos já estão criados com a graça de Deus, ou melhor, com a graça do meu esforço. Claro que, Deus e minha ex-esposa tem uma participação nisso tudo. Meu filho mais velho é um ingrato idiota, nunca me liga. Ele casou com uma sirigaita que manda nele. Minha filha mais nova ta no ultimo ano da faculdade… Ela ainda me liga, a única, e muito raramente digamos de passagem. Lembro que quando ela era mais jovem, eu sempre ia no show do sandy e Junior com ela. Como pode tudo mudar tanto? Há um minuto atrás eu estava na fila do maldito show, e agora ela está morando num apartamento há 3 minutos daqui e isso me parece mais distante que o Japão. Pelo menos meu cachorro toby ficou comigo para contar a história. Eu e o Toby, quem diria… Eu que detestava quando ele sentava perto de mim no sofá, hoje ele parece a melhor companhia. Eu acho que vou ser demitido essa semana, por isso vim aqui buscar umas coisas. Eu devo parecer muito idiota e pessimista mesmo, pra vir buscar parte delas antes mesmo de ser demitido. Eu acho que vou ser, afinal eu admito que estou sendo relaxado com tudo mesmo. Até meu escritório ta um lixo… Mas talvez eu apenas seja rebaixado… Ainda não sei, mas de qualquer forma, terei que tirá-las daqui.
Bem, já está na hora de eu ir e comer algo. Já é quase uma hora e eu ainda não almocei, tenho que preparar uns congelados e… Sim, meu álbum! Tenho que levá-lo também, boas lembranças afinal.Talvez de tempos perdidos…
Acho que vou parar de fumar.
Declaração de amor
Dezembro 13, 2008
E agora eu estava em casa. As luzes já estavam apagadas.Meus passos ecoavam. Eu estava em casa. As estrelas lá fora brilhavam, como nunca. A rua escura, o mundo é cruel. O mundo é cruel lá fora, depois da porta da minha casa.
Nada zunia. Pessoas, algumas, perambulavam nas ruas. Já bêbadas, já cansadas, já amarguradas, já felizes. As luzes da cidade, que luzes! Porque de escuro e tão quieto, até as luzes se inebriam.
Em casa, as luzes já estavam apagadas. E era tão iluminado, na escuridão, talvez fosse o pensamento, talvez não! Meus passos ecoavam, que importa! Eu estava em casa, mesmo ela sendo torta.
Eu sonhei com a gente. Eu sonhei com os passarinhos do pátio. Eu sonhei. Tudo foi um sonho. São sonhos, tudo. Todos. Sonhos.
O jogo que jogamos é realmente divertido, até quando você chora. É impressionante pensar que todos os dias rodamos 360º e voltamos sempre ao mesmo lugar.
É impressionante.
Existe música, árvores, planetas, o vácuo, você e eu. Existem milhões de coisas. E eu estou sentada aqui, e você está sentado aí, leitor. E basta olhar ao redor para começar o deslumbre. Basta olhar seu gato sentado no sofá, basta olhar a lua, ou se encostar e pensar: “Nossa! Eu senti isso!”.
Ok, ok, chega de baboseiras por hoje.
Esse escrito é dedicado ao meu único leitor, com afeto.
Sempre tive essa sensação. Já devia ter me acostumado.
- É difícil se acostumar com coisas ruins.
Tive que dizer isso alto. Porque? Eu não sei.
Últimas considerações do dia.
As trocas nem sempre são justas. Na maioria das vezes não. Você troca sua paz por um punhado de dinheiro. Conhecimento por um pouco de amizade. Suor por um pátio mais limpo. Mas isso nem sempre está certo. Ou melhor, o que é o certo?
Estou cansada. Vou ir dormir. Tchau.