Novembro 10, 2008

Sempre tive essa sensação. Já devia ter me acostumado.

- É difícil se acostumar com coisas ruins.

 

Tive que dizer isso alto. Porque? Eu não sei.

 

 

Últimas considerações do dia.

 

 

As trocas nem sempre são justas. Na maioria das vezes não. Você troca sua paz por um punhado de dinheiro. Conhecimento por um pouco de amizade. Suor por um pátio mais limpo. Mas isso nem sempre está certo. Ou melhor, o que é o certo?

Estou cansada. Vou ir dormir. Tchau.

Algo sobre algo

Novembro 2, 2008

“Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema.
Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder ‘passar desta para melhor’. Os empresários do serviço funerário se vêem ‘brutalmente desprovidos da sua matéria-prima’. Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque ’sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja’. Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a Morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna?
Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta ‘ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte’. É o que basta para o autor, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.”

[José Saramago]

Tudo se foi.

Setembro 12, 2008

Um garoto bonito e seu cachorro bonito andavam pela calçada dourada.

Uma garota feia e seu rato sujo andavam pela calçada dourada.

Um guri ramelento, sem nenhum animal, andava pela calçada dourada.

Uma mulher fina, com o nariz curvo, andava pela calçada dourada.

 

E a única coisa que eu quero com isso é dizer:

Qualquer pessoa pode andar pela calçada dourada.

Setembro 5, 2008

Lirismo é covardia

Com sérias pessoas que não entendem nada além de números, objetos e fatos claros

 

 

 

 

 

 

A existência da poesia

Agosto 30, 2008

Não há amigos

Não há família

Há problemas

Há desespero

Há poesia justamente

Por isso

Por eles

Por você

Que não é amado

Por você

Que é sempre machucado

Há poesia

Eu conheço muitos jovens, muitos deles.

Eu observo seus gestos, seus risos

E eu escuto sobre o que pensam e como pensam

 

Em sua maioria apreciam o velho rock

Acham Emily Dickinson demasiado demais

Tem pensamentos progressistas

Desejam a paz mundial (assim como as misses)

E acham engraçado todas (as misses) desejarem a mesma coisa:

Paz mundial

 

Jovens gostam de festas

Gostam de estar amando

Gostam bastante de sentir intensamente muito em muitos momentos

Um dia em desgraça já o fazem se achar infelizes e escrever sobre sua juventude medíocre

 

Me impressiono bastante com os jovens

Todos viraram santos

E eu continuo a mesma

Julho 5, 2008

Eu levava um soco no estômago todo dia.

Agora eu levo um por semana.

O xadrez anda me irritando, e eu gostava bastante dele. O all star é uma droga cuja Nike é a proprietária. E não há nada de mais idiota no mundo entre a comparação entre nikes shox e all stars. Camisetas de bandas nada mais são do que camisetas para cobrir o corpo.

O que eles querem é demonstrar por fora o que são por dentro. E o que eu acabo percebendo neles é o mesmo que percebo em todos: eles são os mesmos. E iguais. E pensam iguais em muitas ou todas as coisas. O mundo lhes impõe isso de uma forma escondida. Se fossem tão espertos, notariam a armadilha.

 

Quero me desnudar. Quero sair por aí sem pudor. Não quero mais marcas, e isso inclui all stars, camisetas de bandas, rockinhos, alternativos (que nem são tão alternativos assim) e todas as baboseiras que pessoas espertas usam.

 Quero me cobrir de penas, e de pêlos. Quero virar bixo de novo. Eu quero parar com todo esse esquema. E não adianta: estão todos nele! Foram pegos por uma armadilha. E eles não conseguem ver, porque são espertos demais.

Arde

Junho 1, 2008

Não há desculpa

Você ganhou o sopro

Deveria ter vivido

Deveria ter desistido

De todas aqueles que não constroem

Nós sabemos

E há tantos segredos

Nós somos movidos apenas por

 Um mecanismo covarde visando sugar o sopro

Que era o mais preciso

Que morava em nós

E nunca acreditamos que tínhamos vento

Que éramos sedentos não por

Amor-pessoas-aprovaçao

 

Sempre

No fim é só fingimento

E estão todos mortos