Sempre tive essa sensação. Já devia ter me acostumado.
- É difícil se acostumar com coisas ruins.
Tive que dizer isso alto. Porque? Eu não sei.
Últimas considerações do dia.
As trocas nem sempre são justas. Na maioria das vezes não. Você troca sua paz por um punhado de dinheiro. Conhecimento por um pouco de amizade. Suor por um pátio mais limpo. Mas isso nem sempre está certo. Ou melhor, o que é o certo?
Estou cansada. Vou ir dormir. Tchau.
Algo sobre algo
Novembro 2, 2008
“Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema.
Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder ‘passar desta para melhor’. Os empresários do serviço funerário se vêem ‘brutalmente desprovidos da sua matéria-prima’. Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque ’sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja’. Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a Morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna?
Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta ‘ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte’. É o que basta para o autor, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.”
[José Saramago]
Isso é o que eu tenho agora para te dar: nada
Outubro 4, 2008
Tudo se foi.
Um garoto bonito e seu cachorro bonito andavam pela calçada dourada.
Uma garota feia e seu rato sujo andavam pela calçada dourada.
Um guri ramelento, sem nenhum animal, andava pela calçada dourada.
Uma mulher fina, com o nariz curvo, andava pela calçada dourada.
E a única coisa que eu quero com isso é dizer:
Qualquer pessoa pode andar pela calçada dourada.
Lirismo é covardia
Com sérias pessoas que não entendem nada além de números, objetos e fatos claros
A existência da poesia
Agosto 30, 2008
Não há amigos
Não há família
Há problemas
Há desespero
Há poesia justamente
Por isso
Por eles
Por você
Que não é amado
Por você
Que é sempre machucado
Há poesia
Uma breve descrição dos meus contemporais
Julho 24, 2008
Eu conheço muitos jovens, muitos deles.
Eu observo seus gestos, seus risos
E eu escuto sobre o que pensam e como pensam
Em sua maioria apreciam o velho rock
Acham Emily Dickinson demasiado demais
Tem pensamentos progressistas
Desejam a paz mundial (assim como as misses)
E acham engraçado todas (as misses) desejarem a mesma coisa:
Paz mundial
Jovens gostam de festas
Gostam de estar amando
Gostam bastante de sentir intensamente muito em muitos momentos
Um dia em desgraça já o fazem se achar infelizes e escrever sobre sua juventude medíocre
Me impressiono bastante com os jovens
Todos viraram santos
E eu continuo a mesma
O xadrez anda me irritando, e eu gostava bastante dele. O all star é uma droga cuja Nike é a proprietária. E não há nada de mais idiota no mundo entre a comparação entre nikes shox e all stars. Camisetas de bandas nada mais são do que camisetas para cobrir o corpo.
O que eles querem é demonstrar por fora o que são por dentro. E o que eu acabo percebendo neles é o mesmo que percebo em todos: eles são os mesmos. E iguais. E pensam iguais em muitas ou todas as coisas. O mundo lhes impõe isso de uma forma escondida. Se fossem tão espertos, notariam a armadilha.
Quero me desnudar. Quero sair por aí sem pudor. Não quero mais marcas, e isso inclui all stars, camisetas de bandas, rockinhos, alternativos (que nem são tão alternativos assim) e todas as baboseiras que pessoas espertas usam.
Quero me cobrir de penas, e de pêlos. Quero virar bixo de novo. Eu quero parar com todo esse esquema. E não adianta: estão todos nele! Foram pegos por uma armadilha. E eles não conseguem ver, porque são espertos demais.